Na entrevista da OXO Flávio Giusti, apresentador do programa VegetariRango no YouTube compartilha o que aprendeu em 20 anos de vegetarianismo.

1. Como se portar como vegetariano no país mais que mais exporta carne no mundo?

Como faz 23 anos que parei de comer carne, eu já ouvi muita coisa (risos). Eu nem lembro mais do que eu já ouvi e de tantas situações que eu já contornei. Mas enfim, a gente (vegetarianos e veganos) sempre ouve muita besteira, e temos que entender que vivemos em um país onde 10% da população, ou um pouco mais hoje em dia, (Segundo o IBOPE 2012, 8% dos brasileiros se declaram vegetarianos) se declara como vegetariana; e se formos considerar veganos, muito menos ainda. Ao contrário da Índia por exemplo, onde 10% da população consome carne. Então, culturalmente o país (Brasil) é carnívoro, somos o maior exportador de carne do mundo (o Brasil lidera o ranking desde 2008), então é natural que todo vegetariano tenha que se preparar porque é normal ter este tipo de debate com as pessoas. A minha dica é sempre tentar contornar as situações com inteligência. Por exemplo, se a pessoa que te pergunta for mais emocional, você pode trazer argumentos mais https://www.viagrasansordonnancefr.com/viagra-naturel/ do âmbito sentimental, falando do sofrimento dos animais. Se a pessoa for mais racional, por outro lado, a gente fala de dados científicos, com informações sobre como o consumo de carne impacta no clima e no meio ambiente como um todo (Segundo o documentário Cowspiracy, a principal causa de diversas mazelas que afligem o planeta hoje, como extinção em massa de espécies e desmatamente são causados pela pecuária animal). Se ainda a pessoa for religiosa, é possível falar sobre religião citando que praticamente toda a religião tem, no fundo, este apelo ao vegetarianismo.

2. O que mudou na sua visão de mundo desde que se tornou vegano?

Desde o momento que eu me tornei vegetariano, muito já mudou. Porque comecei a perceber que todo mundo, todo dia, age como um canibal comendo um defunto no prato. Quando eu virei vegano, as coisas mudaram ainda mais. Eu passei a perceber que a exploração dos animais é algo muito além da carne, como acontece com o leite, o ovo… Há muito mais alimentos feitos a base de leite, por exemplo, do que a base de carne no mercado. Você passa a perceber, quando se informa, que um pão ou até uma bolacha leva o leite na composição. A sociedade ainda não abriu os olhos completamente para isto. Porque ainda há aquele click: “Ah, eu tomo leite mas não preciso matar uma vaca para isso”. E no final das contas, a pessoa sabe que, sim, isso vai matar a vaca. O animal que forneceu esse leite viveria 20 anos e agora vive apenas 4, num regime de escravidão do sistema da indústria de laticínios, e depois vai virar bife também, absolutamente esgotada. O nosso sistema visa o lucro e não está nem aí para o ser humano (e a qualidade do produto que produz para o consumo), e muito menos para a vaca – que acaba produzindo um leite com alta concentração de pus e sangue.

3. Quando você aprendeu a cozinhar e como sua ideologia alimentar influenciou nisso?

Eu comecei a cozinhar com 9 anos. Minha avó, na época me ensinou uma receita de suspiro. Eu achava um máximo saber fazer alguma coisa. Aos 11 eu comecei a cozinhar no acampamento dos escoteiros, mas cozinhava só bosta (risos)… Só arroz empapado, miojo ou alguma coisa desse tipo. Depois aos 16 anos eu me tornei vegetariano, ovo-lacto vegetariano – e para mim na época, morando no interior, vegano era algo que nem existia. Então, com 16 anos, eu comecei a aprender a cozinhar, motivado a mostrar para as pessoas que o vegetariano não comia mato. Isso me indignava muito.

É inevitável: depois que você se torna vegetariano ou vegano, você passa a ter mais consciência do que está comendo. Esse é o grande trunfo.

Flávio Giusti

Apresentador, Ator, Ativista, Vegetarirango

4. O que mudou na sua refeição depois do programa?

Eu ensino, antes de tudo, receitas de refeições mais conscientes. Antigamente, quando eu comia carne eu não sabia o que era um carboidrato, vitamina C, etc… Hoje eu tento colocar tudo isso junto com a questão do veganismo. Isso bate de frente com mentalidade do tipo: “só na carne tem proteína”, mas muitas vezes a pessoa nem sabe o que é proteína, né? É inevitável: depois que você se torna vegetariano ou vegano, você passa a ter mais consciência do que está comendo. Esse é o grande trunfo.

5. Qual a principal lição que você compartilha após tantos anos de veganismo?

Eu acredito que a principal lição é a consciência. A pílula (vermelha) da Matrix que você toma mostra o que está acontecendo, e você passa a não viver mais como um simples alienado que não sabe o que está acontecendo, ou, pior, que não quer saber. Este último é como um corno manso, que prefere não saber que é corno. Então eu acho que é a consciência a maior lição para compartilhar.

6. Como surgiu o VegatariRango?

O programa (VegetariRango) surgiu depois. Eu sou músico, escritor, professor de Yoga, projetista, ator, palhaço, diretor de arte, publicitário… Sou tudo, menos cozinheiro (risos). Ultimamente eu andava trabalhando mais como ator, e eu queria trabalhar com algo me expressando. Então surgiu a ideia do programa, mostrando a atuação de um lado meio humorístico meu com a cozinha, e, acabou dando certo.

7. Quais dicas você daria para as pessoas que estão há anos “paradas” nas Segundas Sem Carne?

Eu acredito que cada um tem seu tempo. Eu vejo na minha família, por exemplo. Meu pai é vegetariano há 7 anos, minha irmão há uns 12, e minha mãe até hoje come carne. E ela sempre me fala: “estou parando”. Ela tem 63 anos e está parando. Quando vai parar? Ela mora com meu pai e come carne acheter sildenafil pfizer schweiz uma vez por semana. Às vezes a gente gostaria que as pessoas tomassem consciência de uma forma mais rápida também. Por exemplo, a segunda sem carne, apesar de muitas pessoas criticarem, eu acho uma coisa muito legal porque isso inclui, na cabeça das pessoas a possibilidade, de pelo menos uma vez por semana, ficar sem carne. Porque tem muita gente que ainda acha que é impossível ficar sem carne por um dia. Então se a pessoa fica um dia já é uma gota no Oceano de possibilidades, para surgir um vegano. Eu conheço gente que se tornou vegano depois da segunda sem carne ou depois do desafio dos 21 dias sem carne. Inclusive eu sou padrinho desse desafio. Enfim, cada um no seu tempo, nós não podemos acelerar as pessoas, né?

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