Um breve estudo sobre o nascimento da intolerância e o desafio de ser humano.

Nossa vida acontece e se desenvolve através de encontros e experiências que trazem toda a base para a construção da nossa personalidade e do nosso caráter. Cada encontro nos traz uma oportunidade de expressar e perceber a consciência.

Um dos processos que vivenciamos para que exista evolução é o conflito. Ele sempre ocorre onde existe o erro, onde algo precisa ser reparado, e onde o amadurecimento se faz necessário.

O conflito acontece quando nossa “verdade” não é compreendida ou quando só percebemos a uma parte que escurece a “verdade” do outro.

Nós temos uma necessidade imensa de estarmos sempre certos. Queremos que nossas opiniões sejam respeitadas e acima de tudo, que sejam aceitas. E não queremos proferir a incerteza, apesar dela ser uma constante em nossas vidas.

A incerteza é tão dolorida que temos uma urgente necessidade de conhecer e proferir a “verdade”. Porém, nem sempre essa “verdade” tem seu fundamento em uma genuína sabedoria.

Quando nascemos temos uma total necessidade de apoio para que possamos sobreviver. Pouco a pouco vamos criando a possibilidade de desenvolver a independência. A adolescência é a grande expressão dessa necessidade. Um desejo ardente de criarmos nossa própria opinião e defendê-la com unhas e dentes. Os primeiros http://www.cialisgeneriquefr24.com/tadalafil-troche-dosage/ a serem criticados são os pais, e logo após, toda a sociedade. Queremos mudar o mundo, pois nesse momento, apesar da constante descoberta do novo, nos sentimos na obrigação de desenvolvermos uma identidade que mostre que somos importantes e únicos.

“Eu penso, logo existo. E se o meu pensar é a base da minha existência, terei que defender com unhas e dentes a minha opinião, pois corro o risco de ameaçar a minha existência.” A necessidade da autoafirmação gera o constante desejo por uma opinião formada.

“Necessito saber, compreender e defender o que sei. Para isso, quanto mais eu conheço e me aproprio do conhecimento, mais argumentos terei para minha necessidade de afirmação. Escolho então uma posição política, uma filosofia, uma religião, uma raça, um estilo de vida, uma moda, um grupo social, etc.” Lembrando que já nascemos com muitas dessas escolhas já formatadas: a cultura de uma família, de um grupo, de uma nação, de uma etnia.

Nós escolhemos tudo o que de certa forma nos auxilia a criarmos uma identidade neste mundo tão diverso. E quando temos isso bem escolhido, a tendência é de nos aproximarmos de pessoas com escolhas semelhantes. Essas nos auxiliam a fortalecer as escolhas e principalmente torná-las “verdadeiras”. Afinal, quanto mais pessoas pensarem como nós, maior a força para defender essa “identidade” perante tudo.

De forma contrária, tudo o que invalida e critica essa identidade gera repulsa e necessidade de isolamento. Tudo o que é contrário ao que pensamos coloca em risco o que estamos criando. A saída então é criar uma armadura rígida como se fôssemos à guerra. Necessitamos então ignorar e criticar tudo o que difere da nossa crença. Fortalecemos nesse momento uma forte intolerância à diferença. Isso é natural em nossa etapa inicial de desenvolvimento, porém não deveria se perpetuar.

Se isso se arma durante a adolescência, deveria se desarmar em um próximo estágio do nosso desenvolvimento. Na vida adulta deveríamos compreender que essa base é limitada e que necessita de aprimoramento.

Deveríamos exercitar a compreensão de que a verdade é multifacetada e que cada ser humano carrega consigo uma história e um universo totalmente distinto. Não podemos nunca afirmar o conhecimento da verdade olhando apenas uma das faces.

Nesta etapa do desenvolvimento passamos a perceber que os mestres do nosso aprendizado estão presentes em todos os âmbitos, e que muitas vezes o ensinamento necessário vem daqueles que pensam de forma bem diferente de nós, causando momentos de total incomodo e dor.

A intolerância que antes protegia a criação de uma base para a identidade, precisa agora ser dissolvida, para que possamos desenvolver a compreensão, a admiração e vivenciar o verdadeiro amor. Podemos visualizar essa etapa da vida como o florescer de um jardim. Após um longo preparo, nos abrimos em gratidão e em aceitação da vida como um todo.

Um dos fatores que muitas vezes bloqueiam essa etapa do desenvolvimento é a nossa total identificação com os grupos sociais que nos apoiaram em todo o processo. Nesta etapa, o aprimoramento do desapego se faz necessário.

Temos que compreender que todo grupo tem uma caraterística intrínseca de autopreservação que se perpetua. Em sua maioria preferem manter suas crenças, seus costumes e uma defesa de sua tradição. Afinal, para que se questionar, se é muito mais simples manter uma fé cega e uma “certeza” de que essa “verdade” é a que está certa?

Esse padrão existente nos grupos é uma maiores armadilhas do Ser. Geram apegos e prisões que minam as possibilidades de uma abertura de consciência.

Se estamos prontos, nesta etapa do desenvolvimento temos uma nova oportunidade de aprender com as turbulências nos relacionamentos. Desta vez o conflito vem com uma nova roupagem: se apresenta como um exercício de desapego. As nossas antigas certezas precisam ser reavaliadas. E mais que isso, surge neste momento uma necessidade de desconstrução de aspectos rígidos da identidade construída.

Se estamos dentro de um grupo e passamos a compreender a “verdade” de um grupo distinto, criaremos o ruído que será julgado e muitas vezes condenado dentro do grupo em que estamos. Se nos enfraquecemos, deixamos de florescer e nos agrupamos e perpetuamos a “tradição”, mantendo o padrão anterior de consciência. Porém, se o guerreiro interno está forte e se existe sabedoria e amadurecimento, aceitamos toda a diversidade e fortalecemos o processo do despertar.

Aceitando a diversidade, passamos a compreender que não precisamos mais expressar a “verdade” como fazíamos antes. Agora a necessidade de autoafirmação não faz mais nenhum sentido. Nasce a compreensão do silêncio e nasce a compreensão do outro, mas principalmente, nasce a compreensão da unidade.

Uma seleção natural passa a acontecer nesse momento. Podemos deixar alguns grupos que pertencemos, assim como passamos a participar de outros. Descobrimos também que existem inúmeros universos dentro dessa “realidade” que conhecemos. Compreendemos que esses universos se abrem conforme tomamos contato com aspectos mais elevados do nosso desenvolvimento.

A etapa do florescer é tão forte e intensa quanto a etapa da construção da personalidade. Quando abrimos a mente para contemplar a beleza existente na multiplicidade da vida, passamos a desenvolver a compreensão das diferentes formas de agir, pensar e perceber o mundo. É como se abríssemos os olhos e um mundo novo se abre. Passamos a respeitar e a saborear a beleza e o colorido existente em todos os seres.

Quando permitimos o florescer da sabedoria passamos a compreender que toda intolerância é fonte de ignorância e medo, e que toda compaixão é fonte de harmonia e sabedoria.

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