1. O efeito nocivo da televisão

Passei toda minha vida na frente da TV. Literalmente, em casa só a TV falava. Era TV das 13h00 – quando eu chegava da escola, até a hora de dormir. Fazer algo como comer, lavar a louça ou limpar era acompanhado pelos sons televisivos; esta era a tradição passada de mãe e filha para minha mãe, que fazia questão de manter firme. Até uns 15 anos de idade, essa vida me era suportável; eis que, não sei bem como, fui percebendo o mal que causava essa mega interferência da telinha em nossa relação de mãe e filha. Nós não podíamos conversar. Logo, os assuntos eram somente os puxados por algum programa.

Minha mãe acordava e dormia na televisão. Quando trabalhava, independente do horário, que acordasse às 5h00, às 4h00 horas da manhã, a TV era sua companhia. E quando voltava era a mesma coisa. Na época em que esteve desempregada – e isso durou um ano já em um começo depressivo, era o dia todo mesmo, e vocês não podem imaginar o efeito nocivo da TV na vida de uma pessoa que já não está muito bem (para quem observa de fora, fica claro). A TV é uma grande anestesia; abreviando as dores reais. Assistir TV é uma rota de fuga dos problemas, sim. Mas é temporário o artifício. Todo programa sua pausa, quando vem o comercial; é nesta hora que, de alguma forma, a pessoa acorda. A anestesia dá uma amenizada e todas aquelas questões mal resolvidas vem à tona por um instante, até a volta da programação…

2. A TV cria um ciclo vicioso

Se observarmos bem, o que causa dependência televisiva, é também a posição social e condição financeira, que são oriundas do sistema capitalista neoliberal em que vivemos. Uma coisa alimenta a outra, tudo se liga e é uma coisa só. O sistema cria classes em vários níveis, os níveis mais baixos e em maior quantidade de pessoas alimenta audiência, que alimenta programa inúteis, que por sua vez direcionam a opinião das massas pra onde bem entendem. Pode não parecer, mas trata-se de um ciclo vicioso e se não for rompido será infinito. Eu acredito que a televisão é um mantra alienatório e cruel, que grava estereótipos, pré-conceitos e cria falsas necessidades de consumo dentro do nosso subconsciente. Qualquer pessoa que tiver a mais humilde noção de como funciona nossas mentes, pode compreender o quão nociva é essa repetição diária e caótica, imagina os que estão por trás, os que ditam ritmo e conteúdo televisivo.

3. TV é uma opção. E eu escolho mantê-la desligada

Quando minha filha nasceu, a primeira coisa que fiz foi arrancar a antena de TV. Foi tão aliviador, parecia que rompi uma corrente. A minha mãe, longe da TV, passou a estudar muito mais, se pós graduou em Geografia, passou em concursos mega desejados por ela, e agora mal tem tempo para ficar “parada” em frente aos programas de televisão.

4. Mais pensamentos livres

Nos primeiros meses sem TV foi algo lindo, maravilhoso. Agora já faz um ano. E por incrível que pareça, está sendo muito mais libertador do que eu imaginava. Há mais espaço espaço, tempo e pensamentos livres para estudar, pensar e educar minha filha. Agradeço imensamente a oportunidade de escrever para vocês da OXO, espero que esse texto atinja o maior número de pessoas na maior parte da consciência e coração. Muito Obrigada!

 

 

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