Precisamos falar sobre a pornografia.

Eu sei, é um tema controverso.

Mas se enganam aqueles que pensam que a pornografia é uma categoria isolada das ideologias que permeiam a sociedade em que está inserida. Pelo contrário: é uma forma de ordenação cultural, indissociável do seu momento histórico. Naturalmente, por estarmos em meio a uma sociedade patriarcal, todos os valores por trás da pornografia são retratados em uma ideologia voltada para o público masculino.

Assim é que a comercialização das mulheres – e de seus corpos – em conteúdo pornográfico é a afirmação da cultura de dominação sexual. Ou seja, a pornografia reforça o discurso da sexualidade fria, associando as mulheres à falta de respeitabilidade e de moral.

Por que isso é relevante?

Pela triste obviedade de que existe uma relação estreita, dentro do conteúdo pornográfico, entre sexualidade e subordinação. E até mesmo violência. O domínio sexual está tão enraizado em nossa cultura como qualquer outra estrutura de poder. Então, se imagens de uma mulher em condição extremamente vulnerável, exposta, sexualizada e até ridicularizada ainda são repassadas pelos homens, entre homens, com o intuito de entretenimento, é porque os tabus que envolvem o tema ainda não foram rompidos – e, tristemente, ainda estão longe de ser.

Hoje, mais uma moça foi vítima dessa cultura.

Ela foi estuprada por 30 homens que a doparam, filmaram-na, e divulgaram o vídeo. Confesso que não tive coragem de ver, mas pelo o que li sobre, o vídeo era forte e mostrava “closes” de suas diversas partes íntimas  – que sangravam em decorrência da agressão – enquanto os homens gargalhavam e se divertiam ao fundo, sentindo-se orgulhosos pelo que fizeram.

A pornografia não é achaten-suisse.com só o que a indústria pornográfica produz – é toda a ideologia que a reveste. Enquanto essa ideologia justificar e naturalizar a subordinação a e o ódio contra as mulheres, a construção da subjetividade feminina continuará sujeita à violência de gênero (em todas as formas). Enquanto a submissão das mulheres à sua mera sexualidade for algo natural, todas nós continuaremos em posição subalternizada. Enquanto a exposição dos corpos femininos for visto como mero entretenimento, todas nós viveremos em constante perigo. Enquanto a desumanização das mulheres for diversão, todas nós poderemos morrer em situações aberrantes como esta.

Ser contra a pornografia violenta é ser contra a própria violência de gênero.

Tristeza, repulsa, pesar, desgosto. São as únicas sensações que consigo ter neste momento. E nojo de todos os homens que compartilham e repassam vídeos/imagens como estes, para a satisfação de seus caprichos sórdidos.

Moça, estamos com você. Perdoe-me por essa sociedade machista em que estamos.

Nem um minuto de silêncio – e sim uma vida inteira de luta, por você e por todas as mulheres.
“Companheira, me ajude, eu não posso andar só. Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor!”

Obs.: Não há certeza sobre o estado atual da vítima. Naturalmente, a família está evitando exposição.

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