Meu alter ego feminino

Se Audray Lee não existisse, eu a inventaria

Foi num exercício de interpretação no curso de atuação do Studio Fátima Toledo que dei vida a Audray Lee, meu viagra sans ordonnance alter ego feminino. A proposta era desafiadora. Imaginar que teria que criar um número de Vaudeville espetacular o suficiente para garantir minha subsistência. Esse foi o pretexto para expressar uma dimensão latente do meu ser. Lembro-me que aos seis anos de idade, na pré-escola, as crianças ficavam divididas em torno de duas grandes mesas retangulares; uma para as meninas e outra para os meninos. A punição para um menino que fizesse bagunça era ser colocado junto às meninas. Porque eu achava os meninos bobos e queria ficar com as meninas, perturbava a professora até ser “punido”. Só então eu sossegava. Na infância até os 8 ou 9 anos, às vezes eu me sentia menina. Mas essas vivências arrefeceram-se na adolescência em parte por conta de uma educação familiar conservadora, da minha falta de autoconhecimento e do Zeitgeist da ditadura militar brasileira.

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Para se conhecer é preciso arriscar

Final dos anos 1980. Eu era locutor na Band FM e fui escalado para apresentar a eliminatória que aconteceu no Nation de um campeonato de DJs. O Nation era a casa noturna que ficava no subsolo da galeria América, no número 2203 da Rua Augusta, em São Paulo. Foi uma surpresa: muita ferveção, extravagância (a cultura da montação), hedonismo, diversidade de orientação sexual (gays, héteros, bissexuais e outros convivendo em harmonia) e expressão de gênero, enfim, um lugar para descobrir e para me descobrir. Foi lá que conheci o querido Eloy W., uma figura https://www.acheterviagrafr24.com/prix-du-viagra/ ousada e andrógina que me inspirou a começar a me montar misturando peças de indumentária masculina com feminina.

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Se é para fazer algo, faça bem feito

Para encarnar Audray, procurei a estilista Lili Angelika e o maquiador Aroldo Campos, responsável pelo make da cantora Joelma, da banda Calypso. Como tenho 1,85 metro, a confecção de peças femininas sob medida é fundamental. Usar roupas da namorada ou das amigas, nem pensar! A Lili desenhou e produziu um guarda-roupa completo com saias, vestidos, blusas, shorts e blazers, entre outras peças. Ela também me acompanhou em outras lojas para me ajudar a escolher sapatos (não é fácil encontrar modelos femininos tamanho 44), camisetas e até lingeries. Já o Aroldo, além da maquiagem primorosa, é o responsável pelo cabelo da Audray. É ele quem consegue as perucas com aspecto natural. E para documentar tudo isso, fiz um ensaio com o fotógrafo Yuri Pinheiro.

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O exercício liberdade proporciona autoconhecimento

Durante alguns meses Audray realizou performances em casas noturnas e festas, desfilou no Madame (antigo Madame Satã) e ganhou vida própria  passando a frequentar teatros, bares, restaurantes e baladas. Atualmente, embora tenha menos espaço para a Audray por conta das minhas atividades profissionais, para que sirve el sildenafil 50 mg o autoconhecimento e a capacidade de empatia que minha porção feminina me traz é perene. Hoje sou uma pessoa muito mais sensível e interessada pela vida e pelas pessoas. Frequentemente me pergunto: Quem sou eu? Quem está diante de mim? No fundo, podemos ser todos protagonistas de nossas vidas. E como diz meu amigo Paco Abreu, “o ator é aquele que age, que abre espaço para transitar entre o que está dentro dele e o que está além dele”.

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Fotos: Yuri Pinheiro

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