1. Conscientização acontece de dentro pra fora

Conheci a palavra reciclagem quando uma empresa de alumínio, lá pelos anos 90, fazia campanha em escolas incentivando o recolhimento de latas para trocar por um computador. Desde então nunca mais consegui juntar o lixo limpo com o orgânico. Foram anos ouvindo as pessoas dizerem: — Pra que separar? Não tem coleta seletiva!  — Nunca me importei e sempre acreditei que o lixo separado serviria pra algum catador, fosse no lixão ou no percurso do lixo até lá. Eu já tinha dentro de mim essa coisa toda: nunca gostei do consumismo, apesar da formação em publicidade. No supermercado, apesar de amar o design das embalagens, eu sempre as visualizava no lixo do dia seguinte. Sempre tive preguiça de comprar roupas. Usando roupas novas e boas convenceria os outros que sou uma pessoa melhor?

2. Quando se reflete, se recicla

Recentemente no meu trabalho criamos um grupo voltado para a sustentabilidade. Nas reuniões, aprendi que o R de Reciclagem era o último dos “R” importantes para o meio ambiente, antes vinham o refletir, recusar, reduzir e reutilizar. Uma coisa puxa a outra. Tive a oportunidade de criar um minhocário lá no meu trabalho também. Depois conquistei minha própria composteira. Achava que criar minhocas era só um jeito de fazer adubo para as plantas, mas entendi que essas plantas poderiam ser comestíveis e que plantar o próprio alimento é a verdadeira revolução. Imagine dizer adeus a todas as porcarias industrializadas e embaladas em plásticos e papéis brilhantes?

3. Uma vez consciente, o desafio é lidar com a cobrança interior

O viver sustentável é uma experiência que nos dá satisfação, mas há que suportar as ironias dos que não estão nem aí, as conversas de quem usa a sustentabilidade como propaganda positiva de coisas que não funcionam e que têm em seu conceito pura e simplesmente o lucro. Mas o pior é lidar com a própria culpa de não conseguir fazer tudo como imaginamos que deveria ser. Ainda tem muita sacola plástica na minha vida, uso transporte público mas gostaria de andar de bicicleta, como gelatina em um copinho plástico com uma colher plástica (acho que vou parar de fazer isso amanhã!) e pior, ainda não consegui produzir sequer uma cebolinha para as minhas refeições, mesmo com todo adubo feito pelas minhocas.

4. Minhocas valem mais que supermercados

Falando em minhocas… depois de um ano feliz as alimentando e produzindo o composto orgânico, eu percebi que elas começaram a fazer um motim para sair da caixa. Muitas conseguiram, outras morreram na luta. Tentei entender a fuga. Pouca comida? Muita comida? Muita serragem? Muita umidade? Tudo parecia correto ali, o cheirinho da composteira continuava bom (cheiro de andar em folhas secas no mato), mas na calada da noite fugiam e morriam secas na lavanderia. Num dia triste e chuvoso as levei pra casa da minha mãe, lá pelo menos da caixa iriam direto pra terra. As visito todos os finais de semana. Pararam de fugir. Moral da história: quero tê-las aqui novamente. Graças a elas eu também aprendi a não descartar as cascas de frutas, os restos de folhas, os talos, cascas de ovos… Elas são a esperança que acalento em um dia ter uma horta verdinha, verdinha, e desbancar as grandes redes de supermercados. Este é meu sonho.

Comentários

comentários