1. O Conhecimento

O ato de respirar tem a carga mecânica natural. Um fluxo que se repete, reluto, incansável. Seu exercício através da técnica Nadi Shodana (ciclos de respiração de narinas alternadas) cria a consciência do fluxo e de sua vitalidade em comunhão com o corpo. A indicação é que se pratique a técnica Nadi Shodana pela manhã, de estômago vazio. Sentar-se confortavelmente, fechar os olhos levar os dedos indicador e médio da mão direita entre as sobrancelhas. Com o polegar segure delicadamente a narina direita e inspire pela narina esquerda, segure a narina esquerda com o dedo anelar, expire pela narina direita calmamentee inspire pela narina direita, como se cheirasse uma flor. Fez-se um ciclo.Durante a primeira semana fiz cinco ciclos por dia, sempre pela manhã. Um ritual. Foi a oportunidade que eu tive para mudar aquele começo de mês conturbado. Senti-me consciente como uma caminhada ao encontro da tranquilidade.

2. A Pacificação

A segunda semana chegou e mantive-me na caminhada. Discreta, pacifista. Nesta fase o mais surpreendente foi à percepção do corpo e ambiente que habito como uma manifestação aguçada em que glórias e lamentos não habitam. Viver o hic et nunc em estado puro e, ainda que por segundos, eu estive ali, naquele momento sentindo o toque da luz, o cheiro do ar, uma espécie de equilíbrio entre a matéria e a mente. A pergunta de um milhão de dólares era como estender este presente para o presente daqueles dias? Fiquei pelo período da experiência sem ingerir álcool, prestei mais atenção nos alimentos que consumia e por períodos a sensação de pacificação prevalecia, ainda que discreta. A terceira semana entrou na linear da semana anterior e fui desafiada pelo destino; crise no ambiente de trabalho. Primeira reação automática – para não dizer sintomática – foi o lamento, imbuído de reclamação, com doses alternadas de desassossego. Situações provocadas de fora para dentro que pensei ‘não estão no meu controle’ o que por esse período me agregou mais uma carga negativa. Não consegui racionalizar aquele atropelo, fiquei com aquela indigestão até o fim da tarde daquele dia. Algumas horas mais tarde e um pouco mais consciente fui até uma área verde da empresa. Sentei, tirei a sapatilha, passei a observar o movimento de entra cialisfrance24.com ar, sai ar e só de lembrar deste dia, rememoro a sensação de calmaria e de tempo perdido. ‘tá bom, foi pra aprender…’ repeti pra mim mesma. A sensação ruim deu lugar à sensação de tempo perdido e minutos depois de aprendizado.

 

3. O Entendimento

Depois de ter me comportado como se não tivesse contribuído para o desarranjo no trabalho (no sentindo de nem propor a tranquilidade que praticara através da Nadi Shodana) tive muito a refletir e confesso que me prendi um pouco neste recente passado, prática a qual vai contra o que se vive no presente com o pranayama Nadi Shodana, no entanto tive uma descoberta curiosa; memória. Estava próxima de exercer a última semana do desafio e rememorando percebi a capacidade mental que desenvolvi e fiquei como quem visse um arco-íris pela segunda vez e percebesse o seu colorido latente. Atribuo essa descoberta e acontecimento plenamente à prática do pranayama Nadi Shodana, é como ter uma resposta clara e evidente. A manifestação veio através de uma lembrança muito gostosa; estávamos minha irmã e eu. Ela de vestido azul e branco listrado, sandália branca e cabelo solto. Eu camisa branca, saia amarela, sapatinho amarelo, com meias rendadas e cabelo preso. Uma lembrança de 25 anos atrás que se manifestou como provação – eu ouso dizer. Como se eu pudesse reexperimentar minha vida de outro ângulo.

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