Leo Feltran é fotógrafo, pai da Anita de 4 anos (quase cinco!) e dono de uma horta no quintal de sua casa que ele usa para ensinar a sua filha através da brincadeira, os sabores de uma alimentação saudável e divertida

Como surgiu a ideia de cultivar uma horta em casa?

Tinha na garagem de casa uma área com aquela planta ornamental chamada amendoim japonês, e vi que o local poderia ser melhor aproveitado cultivando uns temperos, sabe? Coincidentemente, na mesma época, Anita começou a evitar “verdinhos” no prato, então, para aguçar a curiosidade da pequena, sugeri que plantássemos juntos sementes de salsinha entre outros temperos e hortaliças. Hoje já usamos um pouco da horta pra fazer nosso jantar.

Fui comer meu primeiro tomate apenas aos 13 anos, antes disso era só arroz, feijão e bife.

Como a Anita entrou nessa aventura da horta? Como você criou este contato mais íntimo com a alimentação natural?

Bem, nós somos exemplos, somos referência para nosso filhos, ou seja, macaco vê, macaco faz. Sempre que nos alimentamos, comemos a mesma comida, não posso colocar brócolis pra ela e batata frita pra mim, me alimento bem desde 87, quando minha tia me ensinou a comer legumes, verduras e vegetais em geral. Ela sempre fazia uso de folhas, talhos e cascas.

A Anita, assim como eu, já entendeu a diversão da horta. Procuro passar pra ela o que aprendi, além de leva-lá junto comigo quando faço compras no sacolão, ensino como escolher as frutas e verduras, deixo que ela escolha algumas frutas e sempre comemos juntos. Ela adora frutas!

Quando eu tinha alguns vasos com sálvia, tomilho, orégano, hortelã e menta ela chegava em casa, pegava algumas folhas e comia. Hoje rola até um mini sanduíche com essas folhas, em que o pão é a hortelã e a menta o recheio.

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Conte uma dessas aventuras de pai e filha no mundo da alimentação, ficamos curiosos.

Olha, a Anita não gosta que adoce seus sucos e chás. Eu quando criança comia colheres de açúcar puro, ela prefere tudo ao natural, sempre incentivamos isso, ela nunca provou um refrigerante. Fazemos algumas comidinhas juntos, peço a ela que pegue determinado tempero na horta, coloco um banco alto ao lado da pia e deixo ela lavar e separar as folhas, então despejamos juntos o tempero na panela, assim ela reconhece o “verdinho” no prato, que ela mesma fez. É maravilhoso.

Outro hábito que temos é pegar frutas nas árvores da vizinhança. Na nossa rua temos algumas pitangueiras na praça, perto de casa temos amoreira e goiabeira. Quando estamos em Ubatuba, pegamos acerola na casa de meu pai, e limão e mamão na casa de amigos. Ela adora e eu também.

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Sua alimentação quando criança também era assim?

Foi bem diferente. Fui comer meu primeiro tomate apenas aos 13 anos pois antes disso era só arroz, feijão e bife. Meus pais se separaram quando eu tinha 7 anos, acabei indo morar com minha avó e fiquei lá até os 12 anos. Fui muito mimado e, como eu disse, só comia arroz feijão e bife. Ou seja, do ponto de vista da alimentação, essa foi uma fase ruim da minha vida.

Quando fiz 13 decidi ir morar com meu pai, foi quando minha tia me ensinou a comer melhor. Desde então, aprendi sobre gastronomia (tia Antônia era chefe de cozinha de um restaurante famosinho nos anos 80). Isso refletiu no meu gosto por fotos de gastronomia. Já viu meu site? Veja lá e você vai entender a minha fixação por comida.

Por que você acredita que ensinar os filhos a cultivarem alimentos é importante?

Não há nada mais simbólico do que isso: tratar a terra, plantar, cultivar, observar o crescimento, ver germinar o alimento, nada é mais puro e original do que esse trabalho. Eu acredito que o destino da humanidade é retornar ao mais básico dos processos de existência, ou seja, voltar a ser meio índio, entende? Tenho certeza que Anita não vai se esquecer destes momentos de “brincar” com a terra, ver os insetos de perto com a lupa que dei, provar um alimento que ela cultivou. Tenho certeza que ela vai valorizar esses gestos simples. Agora estamos colhendo flores que ela plantou dois meses atrás.

Gérberas e girassóis australianos…

Também temos uma parreira no quintalzinho de casa, não vai muito bem porque não pega muito sol, mas, de vez em quando aparecem uns cachos de uva. Plantei também maracujá, que está crescendo bastante, e, finalmente dois pés de mamão que crescem lentamente. Tudo isso está sendo acompanhado de perto pela Anita e eu acredito que isso é importante para o desenvolvimento dela também.

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Quais são seus pratos ou alimentos favoritos?  E da Anita?

Anita adora milho cozido, arroz e feijão. Ela me pede “árvorezinha” (brócolis) no mercado, gosta de cenourinha e tomatinho. levitra for sale usa Faço muito palitos de pepino pra ela comer com sal (apesar de pepino ter muito agrotóxico). Manga, banana, laranja, pêra, maçã, melancia e melão são as frutas preferidas dela.

Quanto aos meus pratos? Eu tenho uma alimentação bem variada, mas confesso que adoro bife à milanesa, strogonoff, couscous marroquino e salada com frango. Quase não como carne vermelha, e nós comemos pouco peixe. Comemos muitos grãos! Sempre coloco quinoa, linhaça e chia na comida. Aqui não faço arroz integral porque não gosto, porém, na casa da mãe dela, ela só come arroz integral. Não é incrível?

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