“Eu quase não vejo menina negra no cinema e nas novelas. Só se for bandido, bobo, besta ou burro. Parece que é só isso que o negro pode ser. Eu acho que devia ter mais bonecas negras baratas, para que todas as pessoas possam comprar. E mais negras nos filmes, com cabelos afro, para mostrar que nosso cabelo e cor são lindos.”

1. Em alguma situação você já se sentiu diferente ou inferior?

Eu já me senti inferior, sim. Eu tenho amigas de pele brancas e, quando eu via elas fazendo coisas com seus cabelos, que só dá pra fazer com cabelo liso, eu me sentia assim. Eu já disse “eu não consigo tirar uma foto boa porque eu não tenho um biquinho igual o delas”. Hoje isso mudou, porque agora eu sei a história da minha boca e do meu cabelo, por exemplo

2. Foi nesse momento que você aprendeu a reconhecer seu valor? 

É, eu aprendi que eu tenho que gostar da minha cor, amar o meu cabelo e pesquisar sobre a minha história, sabe? E eu aprendi que não devemos ligar para algumas novelas que ficam falando que os negros só podem ser bobos, empregados e bandidos. A gente deve conhecer a nossa origem e adorar nossa história!

3. Com certeza. E quanto ao padrão de beleza imposto na sociedade, como você vê isso hoje?

A sociedade impõe que a gente alise o cabelo. Desde pequena, a gente precisa fazer as coisas para ficar parecendo com as modelos. Loiras, ruivas… São sempre protagonistas nas novelas e nos filmes; isso faz com que a gente queira alisar o cabelo pra ficar igual. Mas pouca gente mostra que o cabelo Afro permite fazer várias coisas… trançar, enrolar e fazer de tudo.

4. Onde é que a luta contra o racismo deve começar em sua opinião?

É bem na escola que a gente começa a sofrer racismo. Eu acho que os professores tem que saber lidar com isso. Contando a história real dos negros, contando o que aconteceu para serem escravos… Os porquês. E depois falar sobre a origem africana, ensinar sobre a cultura da África para as crianças. E se alguma criança reclamar de racismo para a professora ou diretora, ela precisa fazer mais do que pedir para a outra criança pedir desculpa… Ela precisa explicar tudo isso de novo, para entender melhor porque ela não entendeu ainda.

5. Legal! Por que você escolheu o hip hop como forma de expressão?

O hip hop já tem um histórico de falar da questão do que eu estou passando. Eu também posso falar o que você está sofrendo numa dança, num grafite…

6. Qual sua maior inspiração?

A minha vó Lúcia e minha mãe são as mulheres que me inspiram de verdade. Elas e toda a minha família são minha verdadeira fonte de inspiração! Elas me ajudam a descobrir todas essas questões sobre mim.

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O clique é da fotógrafa Marília Morais.

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