Essa mulher na foto é a própria Thaís Póvoa em sua segunda gravidez, que originou sua experiência com o parto humanizado domiciliar

1. O parto é um tema tabu

Eu nunca havia parado pra pensar sobre o parto até engravidar pela primeira vez. E ninguém nunca havia falado comigo sobre esse assunto. Assim como outros temas ligados à mulher, o parto tem uma longa história de negligências e abusos em nossa sociedade atual. É importante falarmos sobre isso. É importante conhecermos, discutirmos. Tomarmos posições. Você sabia que mais de 50% dos partos em nosso país são cesáreas? E que se considerarmos apenas a rede privada esse número aumenta para 85%? E que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) esse número deveria girar em torno de apenas 15%? E que quase nenhuma indicação dos obstetras para uma cesárea é uma indicação realmente necessária? E que essa discussão não é apenas uma questão de opinião pessoal, mas de saúde pública?

2. A violência obstétrica é uma realidade nos hospitais

Minha primeira filha nasceu de cesárea. Foi uma tentativa de parto normal hospitalar com uma médica do convênio. Passei por todo o trabalho de parto e  depois de quase uma hora no período expulsivo, por decisão médica, fomos para a cesárea. Durante a tentativa ouvi, em tom ríspido, que eu estava fazendo força errado, entravam e saiam pessoas do meu quarto sem que eu soubesse quem eram elas. Na sala de cirurgia, meus braços amarrados não foram soltos nem para que eu pudesse tocar em minha filha, apesar dos meus insistentes pedidos.  Após o parto, tive que ficar sozinha, sem minha bebê, por mais de horas numa sala onde duas enfermeiras conversavam sobre a novela enquanto eu passava mal e aguardava a anestesia passar para poder voltar para o quarto e segurar minha filha pela primeira vez. E tudo isso foi considerado “normal”.

3. Os médicos sempre vão encontrar um motivo para te induzir a agendar uma cesárea eletiva

Você pode até pensar que isso não é em nada violento, afinal são procedimentos “comuns” dentro dos hospitais.  A cesárea, de fato, pode salvar vidas. Mas, ela deve ser exceção e não regra. No entanto, o que se vê,  constantemente, são médicos manipulando informações acerca da sua gestação para agendarem cesáreas eletivas: mais práticas e  rentáveis. E assim tudo passa a ser motivo. O pior: ninguém fala dos seus riscos, que são comparáveis aos de qualquer cirurgia.

4. A mulher deve estar bem amparada no momento do nascimento

Estar muito bem acompanhada, por profissionais que tenham o mesmo ponto de vista acerca do nascimento que você, é muito importante. O momento do parto é extremamente forte, mas é também um momento em que a gente se sente insegura, passam milhões de coisas pela nossa cabeça.

5. A mulher deve parir onde se sentir bem

Minha segunda filha nasceu em casa, depois da experiência hospitalar decidimos por um parto domiciliar planejado e assistido por uma parteira. Tomar essa decisão não foi fácil. Mas, eu havia estudado muito sobre os processos fisiológicos do nascimento, e essa era a decisão mais coerente para mim naquele momento. A experiência foi indescritível. As palavras que recebia eram de afeto e acolhimento. Não havia procedimentos externos. Quem dava o ritmo do parto era o meu corpo.  Assim que nasceu, foi imediatamente para o colo da mãe. Mamou em sua primeira hora do nascimento, ainda ligada pelo cordão umbilical, sem pressa. Aliás, pressa era uma palavra que não existia. Curtimos a chegada da pequena por umas duas horas, até lembrarmos de avisar a família do acontecimento, tudo enquanto minha filha mais velha dormia, no quarto ao lado. A sensação era a de que estava no ninho, exatamente onde deveria estar.

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