A conquista de uma independência

Pois bem, você cresce com um bagaça em sua cabeça, um monte de coisas que tem que seguir para agradar a todos a sua volta. “Seja assim”, “Não faça deste modo”, “Você não pode isso”, “Isto não é para mulheres”, “Seja uma boa garota.”. Meu primeiro trabalho pra valer foi aos 15 anos, exatamente no dia do meu aniversário. Não tive festa de debutante, trabalhei em uma festa de criança rica administrando uma estrutura inteligente de lona e molas de aço que é feita para entretenimento de bebês bonitinhos e crianças cheias de energia, conhecida também como pula-pula.  Daí em diante, já caí de arvorismo trabalhando, já fui de Senhor Cabeça de Batata à Ariel, já trabalhei em livraria, vendi trufa e Avon e também e fui menor aprendiz em um frigorífico que foi fechado pela Vigilância Sanitária e apareceu até no SPTV. Tudo indicava a mais bizarra carreira que eu podia ter. Seja como for, o objetivo de escrever este breve curriculum vitae é para mostrar que aprendi com minha mãe que tem que ralar (e muito!). A independência e o emponderamento é um processo feito com sangue, lágrima e luta por nós mulheres, e só nós sabemos o quanto a sociedade ainda é hostil para a natureza feminina.  

Eu posso ser quem eu quiser

Quando a roseira é “malcriada” ela é podada simplesmente por querer crescer para todos os lados. Aos olhos dos outros este crescimento é desordenado. Pois bem, quando penso em minha identidade, em fazer e ser o que eu quiser – sendo uma mulher – lembro  dos causos da minha mãe. Ela não estudou nem até a quarta série, trabalhou desde criança e vivia literalmente “num rancho fundo bem pra lá do fim do mundo” em Minas Gerais. Saiu de casa aos doze para cuidar de bebê de patrão, depois casou e veio embora pra São Paulo e o sonho ingênuo de menina de ser bailarina e de estudar, não cabia no orçamento de uma pessoa de família simples, e claro, de uma mulher que devia priorizar tudo, menos sua vida. Mas, isso tem que transpor, ressiginificar, mudar. Posso ser astronauta, posso ser rock star, posso ser cientista, posso ser https://www.viagrasansordonnancefr.com/viagra-naturel/ mãe, posso não querer a maternidade, posso ser CEO, posso ser coronel, posso ser programadora, posso ser a melhor jogadora do mundo (MARTA! <3), posso descobrir a cura do câncer e posso comandar um país. Posso e quero, mas com dignidade. Estamos entendidos?

Ser mulher é saber que o buraco é sempre mais embaixo

Aos 18 anos juntei a grana (que era pouca) para realizar o sonho da CNH. Uma moleca habilitada, quem ia me segurar? Queria comprovar que era capaz, afirmar minha identidade, minha independência. Disse ao meu pai: “Vou tirar carta!”. Ele responde: “Pra quê isso agora? Deixa de bobagem.”  Sabia que no fundo era por eu ser a menina da casa, pois meu irmão mais velho https://www.viagrasansordonnancefr.com/viagra-naturel/ não havia passado por essa reprovação. Pois fiz que fiz e tirei a carta, queria encher de orgulho minha mãe. Tinha no meu sonho a vontade de levá-la aonde ela quisesse, queria desbravar estradas, caminhos, trilhas, e isso vai para além de um documento assinado pelo DETRAN, saca? Cada território conquistado por nós, exigiu muitas quebras de paradigmas cristalizados. Para nós mulheres, cada uma com sua história e contexto porque somos viagra comprar seguro diversas, o buraco é sempre mais embaixo. É preciso ir sempre além e viver e fomentar a desconstrução de um pensamento machista que se estabelece em nossas relações diárias e que oprime e anula tantas minas, gurias, chicas…Se o buraco é mais fundo, não tem problema, cavaremos mais.

 

Nosso lugar no mundo e na história

São tantas as esferas e tantos os séculos que fomos e somos sabotadas, assediadas, podadas, rotuladas, violentadas e não consideradas. O caso da CNH é apenas um exemplo micro do que acontece no macro. Entende onde quero chegar?  Meu pai assim como o seu pai, seu irmão, seu namorado, seu professor-pseudo-intelectual-pra-pegar-aluna e tantos outros (e outras, porque nós por muitas vezes também somos, sem saber, contra nós mesmas) são ainda fruto de uma educação que não compreende a inteireza de ser o que somos. O caminho é árduo, é dolorido e como minha mãe diz, tem que ralar. Mas, até quando? O bonito de agora é que parece que boa parte de nós saiu de um coma, de uma anestesia. As fichas estão caindo e não há mais volta. Já está tendo mudança sim, por mim, por elas, por nós.

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